terça-feira, 17 de julho de 2012

De norte a sul

Cheguei no destino final da viagem domingo. Natal! Mas vamos voltar ao caminho até aqui.
Acordei cedo em Recife, tomei o café da manhã e fui rodar a cidade. Infelizmente era domingo e não tive oportunidade de conhecer a cidade direito pois estava tudo fechado. Passei pela orla que é bonita, fui até Olinda e segui meu caminho até João Pessoa. Estrada em Recife não é muito boa mas logo começa o trecho duplicado pelo exército que é um tapete e que vai até Natal. Sem dúvida um dos melhores trechos de toda a viagem e é quase toda reta. Fiz de Recife a Natal em 3 horas. Não fiquei em João Pessoa porque o albergue lá não tinha vagas devido a um congresso de direito que está tendo na cidade, então resolvi esticar até Natal, até porque já estava ansioso para chegar logo e também porque já estava cansado de pegar estrada todo dia. Cheguei aqui ontem a tarde e já gostei muito do visual da cidade, das praias e também fiquei impressionado com o albergue que é um castelo, você se sente na era medieval e o clima da galera é um dos melhores de todos os albergues que já fiquei. Conheci aqui pessoal de Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Manaus, Maceió, Foz de Iguaçu, Porto Alegre e Espanha. Aqui me lembrou muito o clima do Unplugged no Uruguay, primeiro dia e já teve um churrasco em um espaço aqui do albergue.
Ontem fui trocar os raios que quebraram na estrada lixo entre Recife e Maceió e desempenar o aro para não correr riscos e comprei uma câmara reserva. A oficina foi indicada pelo novo amigo José Felipe, diretor regional do Steel Goose Moto Clube, que me deu todo o suporte possível aqui em Natal. A tarde fui conhecer a cidade, passei pelo centro histórico e segui pela orla até o Forte dos Reis Magos. Um lugar lindo que me deu vontade de ficar horas. Amanhã farei o famoso passeio de bugre pelas dunas e pelas praias do norte. No fim das contas não fui do Oiapoque ao Chuí mas percorri toda a BR101.
Acabei de saber que no estado tem plantação de várias frutas, em especial caju e abacaxi, na rodovia eu passava por barracas e subia o cheiro de abacaxi. Deu até vontade.
Uma curiosidade, no sul as pessoas não sabiam nem aonde ficava o Espírito Santo, os nordestinos não só sabem aonde fica como a grande maioria que eu disse de onde era já tinham ido ao estado e sabiam até os nomes das cidades da Grande Vitória. A diferença entre o povo daqui e do sudeste/sul é gritante. Uma coisa que esqueci de citar é sobre o sueco que conheci em Maceió que disse conhecer todo o litoral brasileiro e que as melhores praias do ES estão em Vila Velha. ¬¬
Aqui tá um calor absurdo durante o dia e fiquei sabendo agora a pouco (pela Karini) que está chovendo e frio na minha terrinha. Espero voltar com sol.
Agora fiquem com a melhor frase de ontem: "Ôxi moço, a rodovia fica pequena com essa moto e parece que tá andando de bicicleta. Digaí?" (um frentista de um posto em Pernambuco)
Agora pense nessa frase com o sotaque pernambucano!

 Em Recife o bicho pega literalmente



Centro histórico de Olinda


 Só reta


 Albergue em Natal


Guilherme, mineiro gente boa





Galera 1000%





Forte dos Reis Magos









domingo, 15 de julho de 2012

Aperreado

Antes de começar a relatar a viagem vou fazer as considerações que não fiz antes. Eu tinha dito que a diferença social em Salvador é muito evidente, mas subindo mais pelo nordeste vi que a coisa é muito mais séria, principalmente no interior de Sergipe e Alagoas. A pobreza está as margens da rodovia. E por falar em rodovia a BR101 norte está esquecida, e agora eu entendo porque Pernambuco está entre os campeões de acidentes com mortes. Nas considerações finais dessa viagem vai ser difícil escolher o pior trecho porque tem vários péssimos.
Sobre Maceió. Achei uma cidade sem muitos atrativos. Tem praias e mais praias, mas praias também tenho em minha cidade e apesar de gostar muito de natureza não é o que procuro nessa viagem. Achei o alagoano o menos receptivo de todos os nordestinos até o momento (é claro que existem exceções). E o albergue de lá é o pior da rede Hostelling International de todos que já fui até hoje. Depois do almoço fui dar uma volta rápida pela cidade antes de vir para Recife, e foi realmente rápida porque como me disseram o pessoal de Aracaju, "Maceió é só a orla", e é verdade! A tarde peguei a BR e depois de 85km rodados o pneu fura por volta de 16:30 em um vilarejo chamado Cocal ainda do lado de Alagoas e a 170km de Recife ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Uassu-cocal ). Tive que empurrar a moto por uns 4km até o vilarejo para não rasgar a câmara mas não teve jeito, já estava rasgada e não teria concerto. Novamente dúvidas, desânimo pois achava que a viagem tinha terminado alí porque não tinha o que fazer a não ser arrumar um jeito de levar a moto de volta para Maceió para esperar por segunda feira, comprar uma câmara nova e voltar para casa pois não teria mais ânimo para continuar depois dessa. No meio do nada! O meu celular da Vivo não dava sinal e isso tem acontecido na viagem toda, lá no meio do nada pegava Tim e Oi. Chegando em casa vou providenciar outro chip, a cobertura da Vivo é muito ruim. Liguei do celular de um caminhoneiro que estava "preso" alí desde quinta por problemas no motor do caminhão. Seu nome é Fernando, é de João Pessoa e além de ficar papeando e falando das maravilhas de seu estado, também ajudou a levantar a moto (no braço) para colocar o macaco, que era mais alto que a moto, por debaixo do quadro. Depois de muito quebrar a cabeça e tentar contato com várias pessoas para ver o que poderia ser feito, Cícero (o borracheiro) resolveu tentar colocar uma câmara de carro aro 14 (o da moto é aro 15) e acabou dando certo. Agradeço aqui ao meus irmãos Guilherme e Walace e aos amigos de Maceió e Alagoas que entraram em contato e tentaram ajudar de alguma forma. Ser um motociclista definitivamente não é só possuir uma moto. Segui caminho para Recife e só cheguei aqui 00:30 de hoje, ou seja, fiz 259km em 9 horas. Fazer pequenos trechos em muitas horas está virando costume! Estrada péssima, trechos com crateras que podem facilmente fazer cair da moto. Fui bem devagar em uma média de 60km/h até chegar no trecho duplicado (faltando 110km para Recife). Faltavam 40km para chegar e começou a chover muito forte e novamente tive que diminuir a velocidade. Já em Recife percebi a enorme diferença social assim como em Salvador e Maceió, muitos mendigos, crianças trabalhando de flanelinha de madrugada...
Vou dormir que hoje é dia!












Cícero e Fernando, bom papo e grande ajuda
 Albergue de Recife




sábado, 14 de julho de 2012

Semper fidelis

Finalmente sol!
Quinta fez sol o dia todo em Salvador só que a moto estava dando uns problemas. Queimou um fusível na quarta a noite e começou a falhar. Vi que era problema elétrico e testando vi que era na chave de ignição. Ontem pela manhã comprei uma peça reserva porque sabia que em algum momento me deixaria na mão e foi o que aconteceu. Só peguei a linha verde as 15:30 porque saí do albergue e demorei até achar uma loja de peças de motos. Aproveitei também para trocar o óleo. A chave de ignição me deixou na mão quase na entrada para Praia do Forte a uns 70km de Salvador. Parei no acostamento e troquei. Agora uma dica para os amigos motociclistas, jamais compre nada da marca Velth! Como pode uma peça com menos de 3 semanas de uso e 2600km dar pau? Lixo! Comprei da Magnetron que é garantia que vai durar. Após trocar a peça dei uma passada muito rápida na Praia do Forte e segui caminho para Sergipe. Rodovia ótima, um tapete sem nenhum buraco sequer e a sinalização excelente. Só fica um pouco ruim alguns quilometros depois da divisa. Chegando lá fiquei fã do aracajuano. Estava procurando por Atalaia aonde fica a pousada que estava (porque infelizmente lá ainda não tem albergue) e depois de rodar um pouco perguntei a um casal que estava de carro e já entrando em casa como chegar, eles perguntaram de onde eu era e resolveram me levar até a orla (uns 5km de onde eles estavam). Após deixar as minhas coisas na pousada fui conhecer a cidade. Rodando encontrei um lugar aonde os moto clubes se encontram toda quinta, Cleide Lanches que fica na orla. Pessoal muito gente boa do Lobos Noturnos Moto Clube e de todos os outros MCs que alí estavam reunidos. Várias dicas de lugares para visitar no nordeste, sobre as condições da estrada, convites para voltar e parcerias futuras. Cidade muito bonita, limpa, sensação de segurança, povo hiper hospitaleiro, gostei  demais. Todo esse texto até aqui foi digitado ontem pela manhã ainda em Aracajú mas pela correria só tive tempo de postar agora, algumas coisas mudaram em relação ao que eu sabia sobre o problema na moto que citarei em seguida. Ontem dei uma volta para conhecer os pontos turísticos. Fui no Oceanário, no Mercado Municipal (não quero mais ver castanha na minha frente por um bom tempo), rodei a orla toda e a tarde fui trocar uns raios quebrados do aro traseiro (ganhei os raios de um dos membros de um dos MCs) e fui escoltado até uma oficina de confiança por um casal que estava na noite passada. Lá resolvi consertar a parte elétrica também para não correr riscos, porque os piscas não estavam funcionando e achei que fosse coisa simples, talvez um pisca queimado, mas me enganei profundamente, a elétrica estava toda zoada e em curto! Fiz a revisão geral não tem nem um mês e se a parte elétrica estava assim passo a duvidar que foi feito tudo que disseram que foi feito e é certeza que reclamarei com a loja assim que voltar a Serra. Perdi quase a tarde toda na oficina e só peguei a rodovia para Alagoas as 16:30 e fui pela AL101 que me disseram que economizaria tempo, é pela orla e seria mais tranquilo e também tem a travessia de balsa entre os dois estados que seria um atrativo só que foi ao contrário, fiz 260km em 7 horas porque é muito ruim. Um absurdo! Cheia de grandes buracos e deserta, tive a impressão de ser muito perigosa pois o frentista de um dos postos (que são poucos) me alertou para ficar atento. Não tem nada de tranquila e a única coisa que valeu a pena nesse trecho foi a travessia de balsa, seria melhor, menos cansativo e muito mais rápido eu ter vindo pela BR101. Chegando aqui deixei as coisas no albergue e fui procurar um lugar para comer algo. Conheci um pessoal que também está de passagem por aqui. A americana Rayne, as brasileiras Suelen e Trinny, o holandês Marc e o sueco Markus. Depois de comer um Big Bit (lanche gigante de uma lanchonete), um bom papo e boas risadas, voltei para o albergue para capotar. Agora estou a 20 minutos do check out e estou eu aqui digitando. Não estou passando muito bem desde ontem, acho que comi alguma coisa que não bateu legal. O sol está firme no céu desde Salvador e só peguei chuva na estrada e mesmo assim bem pouco. Vou tomar um banho e conhecer a cidade antes de subir para Recife. Tá corrido, mas como as cidades são pequenas dá para conhecer legal. Nordeste é lugar de um povo 100%, pelo menos até aqui, mas imagino que não deve ser muito diferente em outros estados.
Até daqui a pouco...

 Orixás no Dique do Tororó em Salvador




 Praça dos Arcos em Aracajú










 Skate Park gigante

 Encontro do pessoal dos MCs

Parceiros do Lobos Noturnos Moto Clube
 Trocando a chave de ignição

 Vinicius, olha o que encontrei em um posto indo para Aracajú. Mictório de anão!!!
 Casal gente boa
Sergipe, lugar muito bacana
 Oceanário
 Moreia verde

 Acará Boi

 Bagre

 Arraia

 Projeto Tamar

 Lagosta

 Mariquita

 Cavalo Marinho

 Região dos Lagos


 Farol
 Mercado Municipal





 Balsa Sergipe/Alagoas
Várias nacionalidades

"A vida é feita de lugares estranhos, caminhos diferentes, estradas que cruzam...
A existência desses caminhos permitem sabermos que existe um fim e um começo, apesar de na maioria das vezes não encontrarmos." (Sarah Chen)