domingo, 8 de julho de 2012

Imprevistos acontecem...

Esqueci de comentar no último post sobre o fedor de cana em Pinheiros, uma das últimas cidades do Espírito Santo antes da divisa com a Bahia. Isso me lembrou de uma brincadeira na faculdade sobre o bigodinho de merda e também de um colega de sala chamado Vinicius. Não tinha idéia de onde era a cidade.
Ontem tinha programado para sair de Teixeira as 6 da manhã para chegar cedo em Salvador mas estava tão cansado que acordei um pouco mais tarde, mas já estava mais animado pois estava um solzão, e aqui agradeço ao Alan e aos seus pais pela hospitalidade. Valeu meu amigo!


Acabei pegando a rodovia só as 10:30. Apesar da rodovia estar ruim tem um grande trecho de retas e aproveitei para dar uma esticada. O que gostei é que senti que a estrada era só minha, pouco movimento, poucos caminhões e quase nenhum carro. Mas alegria de pobre dura pouco não é mesmo? Antes de falar sobre o grande inconveniente que me aconteceu eu vou falar sobre um policial rodoviário federal que me parou. Perdi pouco mais de 30 minutos no posto policial porque acho que ele queria me pegar de alguma forma. Pediu a documentação, mandou tirar tudo das bolsas e da mochila, inventou uma perguntação doida, rodou em volta da moto umas duas vezes, perguntou para onde estava indo, perguntou se era eu que estava cantando na rodovia e aí achei muito estranho, será que alguém me ouviu e ligou para eles? Mas eu respondi que sim e ele só balançou a cabeça positivamente com ar de reprovação. E depois de tudo isso perguntou se eu poderia fazer o bafômetro, respondi que sim e me liberou em seguida sem fazer o teste. Achei que fosse ficar agarrado mas ok. Subi na moto e segui em frente mas não deu alguns quilômetros a frente e começou a chover mas como continuava uma sequencia de retas com pouquíssimas curvas continuei esticando até chegar perto da divisa com Itabela aonde começou a ter curvas bem fechadas, então diminui a velocidade até porque a chuva tinha aumentado. Agora vem a parte tensa. Pouco depois da divisa de Itabela encontrei uma fila de carros bem lento com um caminhão cegonha na ponta. Fui ultrapassando um a um e quando chegou na cegonha acontece a merda. Chuva + curva + ultrapassando caminhão cegonha + pneu furado, qual o provável resultado dessa equação? Logo após ultrapassar o caminhão e voltar para a faixa da direita sinto a traseira da moto meio boba e diminuo a velocidade mas logo perco a estabilidade e começa a derrapar e "sambar" e nisso já estava na contramão indo em direção ao acostamento do lado esquerdo. Resultado, não caí por muita sorte e um pouco de auto controle. Parei a moto, me dei conta do que tinha acontecido e fiquei ainda mais nervoso do que já estava pois a possibilidade de ficar alí pastando por muito tempo era grande pois meu celular não dava nenhum sinal, e foi exatamente o que aconteceu. Ninguém parou por quase 1h e 30m debaixo do sol que abriu pouco depois de parar, ou seja, São Pedro está mesmo de sacanagem comigo, sorte que levei água. Mas depois de muito tempo pedindo ajuda um motociclista atendeu ao pedido para parar e após uma breve explicação ele se disponibilizou a ir buscar um guincho pois seria impossível empurrar ou ir montado nela já que isso rasgaria também o pneu. Ele me disse que a próxima cidade era Eunápolis que estava a 12km a frente. Paguei a gasolina que ele gastaria e fiquei esperando. Após alguns minutos aparece dois carros da polícia rodoviária federal e peço ajuda pois não tinha certeza se o rapaz da moto iria mesmo me ajudar. Expliquei o que aconteceu e a policial pediu o guincho pelo rádio. Fiquei mais tranquilo e após alguns minutos a moto é guinchada até Eunápolis.

A curva
Pneu?

Link para um vídeo de um acidente no mesmo trecho que furou o meu pneu

Depois de me arrancar o couro pelo guincho a dona do veículo me informa que as lojas na cidade fecham meio dia e já era mais de 14hs, pois provavelmente precisaria de um câmara nova. O que fazer? Nervosismo, desânimo, raiva, arrependimento, dúvidas, tudo ao mesmo tempo. Pego os telefones das lojas na lista e tento ligar mas todas fechadas. Decido então procurar um borracheiro e no centro acho um que diz resolver meu problema mesmo não tendo câmara de moto para vender. Confiei no rapaz e desci a moto do guincho. Lá fui informado que o trecho da divisa de Itabela até o fim de Eunápolis era o trecho com mais acidentes com morte nas rodovias do Brasil, o que não é verdade, pesquisando vi que é o 3° lugar, primeiro é uma rodovia de Pernambuco, depois uma de Santa Catarina e em 3° seria esse. A BR101 norte tá tenso e para evitar mais acidentes em vez de ampliar a pista colocando mais faixas de cada lado o que a politicagem faz? Coloca pardais de 40km para ganhar dinheiro dos idiotas. Mas enfim, o estrago foi o pisto rasgado, um rombo e mais outros 3 furos e o que provocou isso foi o parafuso que prende os olhos de gato na rodovia, que ficam expostos quando se quebram, detalhe que na Bahia pisto = pino. Mas foi trocado o pisto e remendado a câmara e segui caminho.


Pérola sendo operada


Como a BR101 é impossível pilotar a noite já que de dia já é tenso, resolvi ficar em Porto Seguro. Liguei para o albergue que estou nesse momento e reservei a vaga. Chegando aqui perguntei sobre o wi-fi porque queria ver o jogo do Cruzeiro e o rapaz que trabalha aqui levantou a manga da camisa e me mostra a tatuagem do brasão do Inter que seria o adversário do Cruzeiro no jogo. Fizemos amizade e até apostamos cerveja e apesar de eu ter perdido ele dividiu as 6 long neck apostadas comigo ficando com 3 e deixando as outras 3 comigo. Albergues tem o poder de te revigorar e isso fez voltar a questão dos albergues no Espírito Santo. Porque só tem um em Marataízes? Aqui na Bahia tem 4 em Salvador e mais uns 8 em outras cidades. No Espírito Santo tinha que ter pelo menos em São Mateus, Guarapari e Vitória além de Marataízes. 
Então estou aqui no albergue terminando de postar para ir dormir. Dei uma volta bem superficial mais cedo pois estava chovendo muito e de manhã vou em uma aldeia indígena e no museu e se der tempo vou em Trancoso e Arraial D´ajuda e se não mudar de idéia vou seguir para Salvador mas agora sem planos, vou até aonde der e achar que devo ir. Mais cedo dei uma volta aqui em Santa Cruz Cabrália e conheci o grande "índio velho o rei do artesanato", tudo bem que ele estava tri maluco de alguma coisa mas o cara entende de tudo sobre tudo. Contou histórias sobre a fruta que o macaco enfia a cabeça e come e que também é boa para o combate da diabetes, o grão de café (que é muito cheiroso por sinal) que é bom tanto para diarréia quanto para dor de cabeça, para um você tritura e para outro você faz chá. E o melhor, tá todo o papo em vídeo!
E depois de tudo isso e a cada detalhe dessas viagens percebo que viajar de moto é uma doideira sem tamanho, não uma insanidade sem sentido mas uma loucura que faz todo o sentido mas que não faz nenhum para a maioria. Afinal de contas, como disse um amigo, é muita coincidência eu ter que parar (de forma forçada) logo em Porto Seguro. Porto Seguro!!!!
Até logo mais...

A tattoo do Inter do funcionário
O índio velho rei do artesanato e seus artesanatos





 O albergue




 Passarela do álcool

O Brasil começou aqui
 É... acho que os portugueses erraram em algum lugar

Daniel e Guilherme, Onde está Wally?
...

"A vida é uma estrada, nem sempre asfaltada" 
André Cachorrão (Cachorro Lôco Moto Clube - São Carlos/SP):

"Se a vida te der limões faça uma limonada" (ou uma caipirinha)

sábado, 7 de julho de 2012

Começando outra jornada?

Depois de muita zica consegui sair nessa sexta. Quinta a moto resolveu dar todos os problemas de uma vez e como ficou tarde resolvi deixar para sair sexta. Saindo de Serra as 12:30hs no centro da Serra começa uma chuva tensa que só foi parar quase chegando em Linhares. Apareceu um sol que alguns minutos depois sumiu e deu lugar a chuva novamente. Começa a escurecer e nada de chegar na cidade aonde ficaria. Chuva forte e vento quase me derrubando. Resolvo parar e esperar um pouco. Distância que faria em no máximo 4 horas fiz em 6:30hs. A BR101 está bem ruim até aqui mas ainda assim está melhor do que para o Rio de Janeiro. Estou agora em Teixeira de Freitas na casa de um velho amigo, Alan. Demos umas voltas, conheci os seus amigos e fiquei sabendo que até aqui as línguas ociosas de Vitória tentam envenenar. As pessoas deveriam se preocupar mais com suas próprias vidas. Mas isso todo mundo já sabe, o problema é que nem todos colocam em prática! Mas voltando ao que interessa que é a viagem, daqui a pouco saindo em direção a Salvador. Vou descansar um pouco. Um abraço para os amigos que estão acompanhando.




quarta-feira, 4 de julho de 2012

A estrada chama


Daqui há 3 dias fazem exatos 1 ano do início da aventura do ano passado e do projeto de rodar a América do Sul de moto. A primeira parte já foi e correu tudo bem. Essa semana começa a segunda parte, mas resolvi não sair do país dessa vez por inúmeros motivos, mas sim conhecer uma parte do meu país que ainda não conheço. O nordeste. Afinal, quero sim conhecer outras culturas de nossos vizinhos mas não posso esquecer o nosso país que tem culturas extremamente diversificadas e como já disse anteriormente, o Brasil são vários países dentro de um país. Rever velhos amigos, rever família, lugares paradisíacos e estar na estrada novamente me deixam muito ansioso. Mais uma página desse projeto será escrita...

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...a estrada é para o motociclista como o mar para o marinheiro. Quando ela rouba-lhe o coração ele jamais poderá viver em paz longe dela...

Retirado do blog Reflexos Irrefletidos

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A ESTRADA CHAMA

Porque é tempo de fechar os olhos
enxergar os abismos da alma e percorrer as ruas desertas
conversando com o eco, descobrir-se nos sinais das estrelas.

O tempo não perdoa excesso de bagagem

A estrada chama aos que controlam o sol, é preciso partir levando a vontade
como única razão, o resto a história conta.

Teu, o silêncio, tua a escuridão,
os bens do inventário da solidão
provam que a única riqueza
é conhecer a estrada

Autor: Eriko Alvym [editado]




segunda-feira, 25 de julho de 2011

Lá e de volta outra vez

Saí de Floripa com sol e não deu 100km começou a chover e foi assim até São Paulo, aliás, nessas rodovias, ida e volta, eu acho que não teve uma que passei sem chuva. Um pouco antes de São Paulo, nas serras, uma sequencia de acidentes que me atrasou bastante, me fazendo esperar umas 3hs na chuva e frio ao todo. Saí de São Paulo a tarde e peguei sol até Macaé quando já estava noite e resolvi ficar por lá mesmo pois não estava afim de arriscar a noite nessas estradas podres da BR101 e ainda molhadas. Saí cedinho de lá chegando aqui em casa ontem debaixo de chuva, é claro, mas com a diferença de ter um mormaço subindo do asfalto, coisa que não tinha no sul. Depois de ver tantas montanhas na paisagem e de rodar quase 7 mil km eu soube que estava finalmente em casa ao ver, muito feliz, o Mestre Álvaro, a montanha símbolo de minha cidade.
Essa grande viagem foi a primeira de muitas, sem dúvida. Perfeita em todos os sentidos. Aprendi e desaprendi muitas coisas em poucos dias dando valor a coisas que não dava tanto valor e deixando de dar a outras que dava tanto. Estou muito feliz por ter conseguido concluir meu objetivo. De minha montaria ter se portado como uma dama na estrada, não me dando nenhuma dor de cabeça real. Da força que recebi de verdadeiros amigos para continuar e finalizar o projeto. De estar de volta em casa podendo matar saudade de pessoas que estava com saudades, do sol, de minha cama quentinha e do meu PS3.

Pior  trecho de rodovia:
A BR101 sul Porto Alegre - Florianópolis está muito ruim e com péssima sinalização, mas é porque estão duplicando. Nenhuma vence a porcaria que é a BR101 aqui no ES. Péssima. E ainda tem coragem de cobrar pedágio.

Melhor trecho de rodovia:
A BR376 entre Curitiba - Florianópolis. Um tapete. E entre Chuí e Montevideo porque além de muito boa só tem reta.

Trecho mais chato:
BR116 entre Curitiba e São Paulo, porque estava a noite, chovendo e a pista muito escorregadia e cheia de acidentes atrasando a viagem.

Trecho mais bonito:
Teve vários no caminho mas entre Chuí e Montevideo é sem noção de tão bonito.

Cidades mais bonitas:
Florianópolis e Punta del Este.

Segue a lista de albergues ao longo da viagem.
Curitiba - Hostel Roma -  http://www.hostelroma.com.br
Porto Alegre - Hotel Elevado - http://www.hotelelevado.com.br/
Uruguay - Hostel Unplugged - http://unpluggedhostel.com/
Argentina - Hostel Ayres Porteños - http://www.ayresportenos.com.ar

E o link do site da Toca para quem quiser conhecer as viagens do Cícero: http://www.ciceropaes.com.br/a_toca.html

Valeu a todos que acompanharam.
 
 Saindo de Floripa ainda com sol

 O estado da moça quando cheguei
Só a lama

"Tudo está tão bem quando acaba melhor." (Bilbo Bolseiro)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cansado de frio

Correria e sem tempo para postar. Mas vai um post rapidinho.
Segunda a noite após postar fui ver o lance do cara que iria soldar a moto, só que a moça ficou de birra porque larguei ela alguns dias no frio e não pegou nem com afogador, arreou a bateria. Desmontei a peça e deixei para de manhã. Desencanei e fui ver o jogo com os uruguaios, aproveitar a última noite nessa terra muito foda. Muita bagunça, churrasco, cerveja e o Uruguay faz o primeiro, depois o segundo e acaba o jogo. Festa na cidade de novo. Mas estava muito cansado e resolvi ficar por alí mesmo conversando e esperando dar o sono que não demorou muito. Acordei as 9, tomei o café rapididnho e fui procurar um lugar que soldasse a peça. Demorei a achar e só voltei quase meio dia para o albergue. Arrumei as coisas, me despedi de todos e parti com o coração realmente partido porque adorei esse país e essas pessoas. Ainda dei mais uma volta na praia e no centro, comi um chorizo que é parecido com o choripan só que com temperos e também um pancho que é tipo um cachorro quente só que uma salsicha que não cabe no pão também com vários temperos e só então fui em direção ao Chuí com destino a Florianópolis. Estava fazendo 8° em Montevideo com o tempo nublado e bem umido. Passei novamente em Punta del Este no caminho e tirei mais umas fotos. E começa a chuviscar para a minha "alegria". Congelando mas a 140km/h para chegar logo pois não aguentava mais sentir frio. Cheguei em Chuí por volta de 19hs e estava chovendo e muito frio, não tinha condições de continuar por mais dois estados e resolvi ficar para continuar pela manhã. Fiquei no mesmo hotel que havia ficado antes, tomei um banho quente, fui comer algo e acabei comendo dois panchos, gastei o restinho de pesos uruguaios que tinha no mercado pois alí seria a última cidade que aceitaria e fui dormir. Ontem acordei as 8:30, arrumei as coisas e fui comer algo. Saí de Chuí por volta de 9:30 com chuva e frio e assim continuou até a tarde quando cheguei em Porto Alegre e lá soube que havia chuvido muito e algumas cidades estavam em estado de calamidade. Mas em PoA estava 6° e não estava nem um pouco afim de ficar naquela cidade e pensei, "Vou arriscar um sol em Floripa". Achei melhor arriscar já que já estava encharcado e com frio. Melhor coisa que fiz porque depois de quase 100km de PoA parou de chover e peguei estrada seca até aqui. Depois de 12 horas na estrada direto e destruido de cansaço cheguei a essa cidade linda e fui direto para o refúgio chamado Toca. Fui novamente recebido pelo Cícero. Tomei um banho quente e fui dormir. Acordei as 9 com um solzão, arrumei as coisas, tomei café da manhã, me despedi da Lourdes e fui trocar o óleo da moça. Queria muito ficar mais nessa cidade maravilhosa mas não dá. Agora estou aqui na mesma lan de sempre, provavelmente fazendo o último post antes de chegar em casa e terminar essa saga com as considerações finais.
Segue mais algumas fotos:

 O albergue Ayres Porteños em Buenos Aires




 Obelisco

 Metrô de superfície
 Casa do Governo e um ninja doido
 Puente de la Mujer

 Barco Pte. Sarmiento Frigate



 Buquebus de volta para Montevideo



 O pessoal torcendo para o Uruguay
 Final do jogo
 Rosi que trabalha no albergue
 Mais fotos de Punta del Este

 A ponte esquisita na entrada da cidade
Na Toca mais uma vez


"A vida é uma viagem a três estações: ação, experiência e recordação" (Júlio Camargo)
"A verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ver com novos olhos." (Marcel Proust)
"Longe é um lugar que não existe quando estamos numa motocicleta" (Japonês - Sem Lei MC - Itaguaí)